Quanto custa software à medida em Portugal, com as contas feitas
Faixas de preço por tipo de sistema, a conta que vai do salário de um programador ao preço por dia, o que custa manter depois da entrega e quando é que uma ferramenta pronta sai mais barata.
Valores confirmados nas fontes citadas a 12 de setembro de 2026. Salários, preços de mercado e tabelas de alojamento mudam; confirme na fonte antes de decidir.
Quanto custa software à medida em Portugal depende, antes de tudo, do tipo de sistema. Uma ferramenta interna pequena fica tipicamente entre 4.000 e 12.000 €, um sistema de gestão com vários perfis entre 10.000 e 50.000 €, e uma plataforma com clientes externos, pagamentos ou app entre 25.000 e 80.000 € ou mais. A estes valores soma-se, todos os anos, o custo de manter o sistema a funcionar.
Quase nenhuma empresa portuguesa que faz software publica preços. Percebe-se: cada projeto é diferente. Mas sem números ninguém consegue saber se um orçamento é razoável. Por isso este artigo mostra as faixas, a conta que as explica e a fonte de cada valor.
Quanto custa software à medida em Portugal?
| Tipo de sistema | Exemplo | Faixa observada | De onde vem |
|---|---|---|---|
| Ferramenta interna pequena ou painel sobre dados que já existem | Um ecrã de encomendas ligado à faturação; um painel de vendas que lê o que já está no ERP | 4.000 a 12.000 € | Faixas que observamos no mercado português, no mesmo patamar de um CRM ligado a outros sistemas |
| Sistema de gestão com vários perfis | Backoffice com acessos por função, registo de quem fez o quê e relatórios | 10.000 a 50.000 € | Faixas que observamos; a Modular Digital publica aplicações web a partir de 15.000 € |
| Plataforma com clientes externos, pagamentos ou app | Portal onde os clientes encomendam e pagam; app para telemóvel | 25.000 a 80.000 € ou mais | A Modular Digital publica até mais de 80.000 € para plataformas com vários utilizadores e integrações em tempo real; a agência espanhola App Design publica 25.000 a 60.000 € para uma app com login e base de dados |
As fontes não dizem se os valores incluem IVA. Numa proposta, confirme sempre: a taxa normal no continente é 23%. Automações simples ficam abaixo desta tabela, e têm um artigo próprio sobre quanto custa automatizar um processo.
A faixa é larga porque «vários perfis» tanto pode querer dizer dois como vinte, e porque o que mais pesa no preço raramente se vê no ecrã: ligações a outros sistemas, regras de negócio cheias de exceções, migração de dados antigos e o nível de segurança exigido.
De onde vem o preço de um software à medida?
Quase todo o preço é tempo: dias de trabalho multiplicados por um preço por dia, mais uma margem para o que não se consegue prever. Para perceber se um preço por dia é razoável, ajuda fazer a conta a partir do salário.
Do salário ao custo de um dia
- Salário. O Tech Talent Trends Report 2026, da Landing.Jobs e da Damia, situa o salário médio anual bruto em tecnologia em Portugal em 53.671 €, segundo a notícia da HR Portugal de julho de 2026. É a média do setor inteiro, e o estudo nota que o trabalho totalmente remoto e as empresas de produto pagam mais do que as consultoras.
- Encargos. A empresa paga 23,75% de Segurança Social sobre o salário (gov.pt). O custo anual passa para cerca de 66.400 €.
- Dias de trabalho. Em 2026 há 261 dias de segunda a sexta. Tirando os 9 feriados obrigatórios que calham em dias de semana (artigo 234.º do Código do Trabalho) e os 22 dias úteis de férias (artigo 238.º), sobram 230.
- Custo por dia trabalhado: cerca de 289 €. Ainda sem computador, licenças, contabilidade, seguros, escritório ou lucro.
- Dias faturáveis. Nem todos os dias se cobram: há propostas, reuniões comerciais, formação e tempo entre projetos. Não encontrámos estatística pública para esta proporção. Se, como hipótese, dois em cada três dias forem faturáveis, o custo por dia faturado sobe para cerca de 433 €, ainda sem margem.
Um preço por dia de empresa muito abaixo destes valores quer dizer uma de três coisas: salários abaixo da média, horas que não entram na conta, ou um orçamento que vai crescer a meio.
Do lado dos freelancers, a Zaask, plataforma onde se pedem orçamentos a profissionais, mostra o desenvolvimento de software entre 15 e 45 € por hora, com média nacional de 35 €. Oito horas a 35 € dão 280 € por dia. Para trabalho bem delimitado pode ser a escolha certa. O risco está na continuidade: o sistema fica a depender de uma pessoa.
Com estes números, dá para ler um orçamento ao contrário. A 400 € por dia, a faixa de 10.000 a 50.000 € corresponde a algo entre 25 e 125 dias de trabalho. Quando lhe apresentarem um orçamento, pergunte quantos dias estão lá dentro.
Quanto custa manter um software à medida depois de entregue?
É a linha que mais falta nos orçamentos, e é a que decide se o sistema envelhece bem.
Alojamento. É o custo mais baixo. Na tabela da Hetzner, fornecedor alemão com centros de dados na Alemanha e na Finlândia, um servidor com 2 vCPU e 4 GB de RAM custa 5,99 € por mês no plano Cost-Optimized e 19,99 € no plano Regular Performance, sem IVA. As cópias de segurança automáticas pagam-se à parte. A Modular Digital indica 200 a 600 € por ano para um servidor próprio ou na cloud.
Atualizações de segurança. Todo o software assenta em peças com prazo de validade. Um exemplo: cada versão do PHP, a linguagem em que corre boa parte da web, tem dois anos de suporte completo e mais dois só para falhas de segurança críticas (php.net). A versão 8.2 deixa de receber correções a 31 de dezembro de 2026. Quem não atualiza fica, ao fim de poucos anos, a correr uma versão sem correções.
Quem corrige quando algo muda. Regras de faturação, a API de um banco, a plataforma de pagamentos: mudam sem pedir licença. Alguém tem de adaptar o sistema, e isso deve estar num contrato de manutenção, com horas por mês ou preço por intervenção, e com tempos de resposta escritos.
Quanto, no total? Não encontrámos nenhum estudo português público com uma percentagem. A App Design, de Madrid, publica que a manutenção custa entre 15% e 25% do orçamento inicial por ano. É uma ordem de grandeza prudente: num sistema de 20.000 €, 3.000 a 5.000 € por ano.
Software à medida ou SaaS: a conta a 3 e a 5 anos
Exemplo hipotético, com números escolhidos para ilustrar, não tirados de nenhum cliente nem de nenhum produto real: uma ferramenta SaaS a 40 € por utilizador por mês, com 2.000 € de configuração inicial, contra um sistema à medida de 20.000 €, com manutenção de 15% ao ano (3.000 €) e um servidor de 20 € por mês (240 € por ano). Valores sem IVA.
| Exemplo hipotético | SaaS, 10 utilizadores | SaaS, 30 utilizadores | À medida |
|---|---|---|---|
| Arranque | 2.000 € | 2.000 € | 20.000 € |
| Custo por ano | 4.800 € | 14.400 € | 3.240 € |
| Total a 3 anos | 16.400 € | 45.200 € | 29.720 € |
| Total a 5 anos | 26.000 € | 74.000 € | 36.200 € |
Com 10 utilizadores, a ferramenta pronta ganha nos dois horizontes, e com folga. Com 30, o sistema à medida já sai mais barato aos três anos. Neste exemplo, a conta inverte-se a partir dos 15 utilizadores a cinco anos e dos 20 a três anos. Com manutenção a 25%, o sistema à medida passa para 35.720 € a três anos e 46.200 € a cinco.
A tabela deixa de fora duas coisas: os aumentos de preço da licença, que não controla, e as evoluções do sistema à medida, que são trabalho novo e se pagam à parte. E o preço é só metade da decisão. A outra metade é se o seu processo cabe numa ferramenta pronta, e isso está no artigo sobre software à medida ou ferramenta pronta.
O que tem de ficar em nome da sua empresa
A lei portuguesa ajuda: no software feito por encomenda, os direitos pertencem a quem o encomendou, salvo se o contrato disser outra coisa (artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 252/94). A ressalva é o que importa: leia a cláusula de propriedade antes de assinar.
Antes de pagar a última fatura, confirme:
- Código num repositório em conta da empresa, com o fornecedor como convidado.
- Domínio registado com a empresa como titular.
- Servidor e alojamento numa conta em nome da empresa, faturada à empresa.
- Contas de serviços externos (pagamentos, envio de email, mapas, lojas de aplicações) criadas pela empresa.
- Dados exportáveis num formato aberto, e cópias de segurança a que a empresa acede sem ter de pedir.
- Documentação: como instalar, como está organizado, que serviços usa e onde estão as credenciais, guardadas num gestor de palavras-passe da empresa.
- Contrato com a propriedade e as condições de manutenção por escrito.
Se o fornecedor desaparecer amanhã, é esta lista que decide se outra equipa consegue continuar ou se tem de começar do zero.
Como reduzir o custo de desenvolvimento
Começar pequeno. A primeira fase deve ser uma parte que a equipa usa já, em produção, e não o sistema inteiro. Custa menos, e o que se aprende com o uso real corrige as fases seguintes antes de serem pagas.
Usar ferramenta pronta onde ela serve. Faturação, email, contabilidade, CRM genérico: compre. Construa só a diferença, por cima do que já existe. Se hoje o sistema da empresa é uma folha de cálculo, o artigo sobre o Excel como sistema de gestão ajuda a perceber como sair dele sem deitar fora o que funciona.
Diagnóstico antes do orçamento. Um orçamento feito sem o processo mapeado leva uma margem para imprevistos, e essa margem paga-a o cliente. Com um diagnóstico da operação, o que entra no projeto fica definido e o preço deixa de ser um palpite. No Oficina Studio, o preço e o que entra no projeto ficam fechados por escrito antes de começar, e a página de software à medida explica quando é que construir compensa mesmo.
E os apoios públicos?
Não conte com eles para isto. Verificámos aviso a aviso e o resultado está no artigo sobre apoios para digitalizar uma PME em 2026. Os dois créditos fiscais que existem não servem aqui: o SIFIDE II exclui software à medida comprado a um fornecedor comercial, e no RFAI a Autoridade Tributária concluiu que software adquirido isoladamente não é elegível. Há uma exceção regional para micro e pequenas empresas do Algarve, explicada nesse artigo. Se o projeto só avança com subsídio, é melhor saber isso antes de pedir orçamentos.
Se quiser saber em que linha da tabela fica o seu caso, e se compensa construir ou comprar, o ponto de partida é perceber como a operação funciona hoje. Fale connosco: respondemos em até uma hora e dizemos-lhe também quando não vale a pena construir.
Perguntas frequentes
Quanto custa uma aplicação à medida para uma pequena empresa?
Depende do tipo de sistema. Uma ferramenta interna pequena fica tipicamente entre 4.000 e 12.000 €, um sistema de gestão com vários perfis entre 10.000 e 50.000 €, e uma plataforma com clientes externos, pagamentos ou app entre 25.000 e 80.000 € ou mais. São faixas observadas no mercado português, e a elas soma-se a manutenção de todos os anos.
Quanto custa manter um software à medida por ano?
O alojamento é a parte pequena: um servidor na Europa custa entre 6 e 20 € por mês, sem IVA, na tabela da Hetzner. O peso está na manutenção, nas atualizações de segurança e nas adaptações a mudanças externas. Uma agência de Madrid publica 15% a 25% do custo inicial por ano, o que num sistema de 20.000 € dá 3.000 a 5.000 €.
Quanto cobra um programador freelancer em Portugal?
Na plataforma Zaask, o desenvolvimento de software aparece entre 15 e 45 € por hora, com média nacional de 35 €, o que dá cerca de 280 € por dia de oito horas. Uma empresa cobra mais por dia porque paga Segurança Social, férias e os dias que não se faturam.
O código do software feito à medida fica meu?
Pela lei portuguesa, os direitos sobre um programa feito por encomenda pertencem a quem o encomendou, salvo se o contrato disser outra coisa (artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 252/94). Por isso a cláusula de propriedade deve ser lida antes de assinar. Na prática, peça também que o repositório, o domínio e o servidor fiquem em nome da empresa.
Há apoios do Estado para pagar software à medida?
Para a generalidade das PME, em setembro de 2026, não há nenhum aberto e acessível. O SIFIDE II exclui software à medida comprado a fornecedor comercial, e no RFAI a Autoridade Tributária concluiu que software adquirido isoladamente não é elegível. A exceção é um aviso regional para micro e pequenas empresas do Algarve.